quinta-feira, 28 de maio de 2015

Convivendo juntos, não separados 04

       Na vida a dois, muitas vezes ou quase sempre, estamos juntos.

Algumas vezes estamos juntos, mas separados.

Se as esposas ou as mães tivessem que registrar na agenda tudo o que deveriam fazer durante o dia, certamente teriam que ter uma secretaria ou então levantar-se meia hora mais cedo.

Ao duas mil e uma atividades dos cônjuges unem e separam os dois.

O que toma tempo e puxa um para cada lado:

- A organização e administração da vida familiar: tarefa dele e tarefa dela;

- Os compromissos profissionais: responsabilidade dele e dela também;

- A educação dos filhos: função especial dele e dela;

- As inumeráveis tarefinhas que a manutenção da cozinha exige de um e do outro: tarefa dos dois;

- As múltiplas solicitações de tudo o que existe dentro da casa, exigindo cuidado e manutenção, consertos, água, apertos, reposição, trocas, sabão, limpeza, perfume, flores: tarefa dos dois. Dos dois, sim, se não, quem aguentará viver dentro de um espaço que não recebe atenção e cuidados diários? – Imaginem em qual cenário se transformará a casa que deve ser um Lar Acolhedor constante.

- A atenção diária para abrir os meios de comunicação disponíveis, responder e-mail, atualizar agenda, conversar com os pais ou irmãos e parentes ... e amigos.

Tudo isso exige tempo e rouba ou afasta um do outro.

Tudo isso vai absorvendo um e outro.

Tudo isso pode levar lentamente ao descuido.

O estar presente pode se transformar num sútil gesto de ausentar-se presentemente.

Quase tudo que acontece durante o dia, parece, tendem a distanciar-nos um do outro.

Isso acontece para que, nos momentos em que estão intimamente juntos, as expressões, a intimidade, o carinho, a ternura, sejam comprimidas com tal intensidade que os vazios ou distâncias ocorridas durante o dia, sejam vividas numa tal intensidade de presença que as ausências sejam compensadas.

Intimamente presentes. Intimamente perto.

Estar presente. Esta é a bandeira que os cônjuges devem ter presente, conscientemente, sempre.

Estar presente traduz-se em prestar atenção, dar atenção, estar totalmente antenado ao outro.

O contrário, sim, o contrário pode se fazer presente: o descuido sobre a presença do outro produz o efeito dos gestos amorosos entrarem num processo de desencantamento e levar até à apatia.

Você tem todas as condições para que sua vida a dois, sua vida familiar seja uma aventura gostosa, alegre e cheia de bons momentos.

A falta de atenção, a falta de dedicação, a falta do conviver juntos também podem criar uma desventura.

Concentrem-se, portanto, nas possibilidades, nas boas alternativas, no comprometimento de fazer tudo junto, não separados.

Afinal vocês não são mais dois egos isolados, mas uma, uma nova vida. Uma vida só, construída por duas consciências maduras.

Eneas Paulo Budel Bogucheski.

Atualizado em 28/05/2015.