terça-feira, 31 de maio de 2016

O olhar do coração é diferente do olhar racional. 23



Fazemos a experiência humana

vivendo a unidade.

 

Não somos só corpo,

não somos só cabeça racional,

não somos só coração.

 

Somos a mais perfeita usina,

geradora de pensamentos, ideias,

ações afetivas e profissionais.

 

Somos de carne e osso.

 

Somos energia e sangue quente.

 

Temos um Espírito que habita-nos.

 

Porém, hoje,

vamos pesquisar um pouco

sobre as diferenças

entre o racional e o coração,

entre o saber e o amar.

 

Comecemos:

 

Se você só olha, e não se emociona,

você não vê direito,

ou vê apenas parcialmente.

 

Se você só olha, e não sente nada,

o teu coração está só batendo,

mantendo-te vivo.

 

Se você só olhar para a aparência,

não verá o invisível, escondido,

mensagem secreta

a ser descoberta e degustada.

 

Como olhar com o coração,

se ele está lá dentro, trabalhando,

o tempo todo,

concentrado na regularidade

das batidas?

 

Ora, ora, como és tardo(a)

para compreender, Pequeno(a)

Principe (Princesa)!

 

“Só se vê bem com o coração.

O essencial é invisível aos olhos”.

Antoine de Saint Exupèry

ou Antoine Jean Baptiste Marie Roger Foscolombe de Saint Exupery 29/06/1900-31/07/1944.

Foi escritor, ilustrador e aviador francês.

Nasceu em Lyon, na França

e morreu em algum lugar do Oceano Mediterrâneo,

onde caiu o seu avião. 

Autor do livro “Pequeno Príncipe”.

 

Parece que deve haver uma parceria,

entre os olhos e o coração

para que a atividade de olhar e ver

sejam mais potentes

e produzam mais riquezas de informações

e detalhes.

 

Entre a cabeça e o coração,

parece que o amor brota de lá,

do meio do ser humano, não da cabeça,

onde está nosso cérebro e atividades mentais.

 

Antoine de Saint Exupèry

colocou no coração

o lugar onde o amor

prefere ser localizado.

 

Parece ser mesmo, no coração,

a sede das emoções, um lugar quente,

que esquenta mais ainda quando amamos.

 

Quando amamos,

o coração altera-se

e bate mais rápido.

 

Quando amamos

nossas capacidades racionais

quase não se intrometem,

permitindo-nos até ‘perder a cabeça’.

 

O coração não tem olhos,

mas empresta o olhar

para fazer o amor despertar.

 

O pontinho negro,

no meio dos nossos olhos,

é o canal

por onde o coração enxerga.

 

Por este pequeno túnel,

“a menina dos teus olhos”,

o coração vem para a vida,

vibrar, bater descompassadamente,

alegre e jovial, não importando a idade.

 

Quando o coração se manifesta,

a razão se aquieta e cala-se.

 

Quando o coração se manifesta,

vai mais longe, vai além das leis,

além das normas, além do horizonte racional,

vai mais além, além dos bloqueios, dos tabus

e dos preconceitos.

 

Sê se vê bem com o coração

porque o coração está sempre vivo,

batendo, atuando o tempo todo,

gerando energias,

bombeando sangue quente,

mesmo dormindo ou sonhando.

 

Mas e a mente, nossas capacidades racionais como se comportam diante da natureza,

das coisas e das pessoas?

 

Parece-me que a mente

está sempre olhando com olhar crítico, raciocinando vantagens e desvantagens,

apegada aos conceitos e preconceitos.

 

A razão pesa as consequências,

calcula riscos, mede palavras e gestos.

 

Ela vê defeitos, limitações e erros.

 

A razão racionaliza, acha desculpas,

não sabe humilhar-se.

 

Quer se impor orgulhosamente.

 

A razão explica, disseca tudo,

despe e deixa a nudez envergonhada.

 

Quer explicar até o mistério,

o mundo misterioso.

 

Não explica

porque mantém-se apática

ou rejeita estes campos.

 

As faculdades racionais,

da maioria das pessoas humanas,

estacionaram no mundo físico.

 

Permanecem quase só no campo da visão,

no campo das coisas palpáveis, manuseáveis.

 

Não aceita nada que escapa destes objetos.

 

Não aceita

e até repugna o intocável,

o invisível.

 

É claro que estes são apenas alguns aspectos, digamos, negativos, da racionalidade humana.

 

Mas será que acharíamos defeitos

no coração?

 

Existe um mau coração, um coração apático, insensível, como se fosse de pedra?

 

Parece-nos

que o coração foi feito para amar,

para gerar vida, para bater sempre,

mantendo quente o sangue

para que gere energias

para a pessoa poder amar,

incessantemente.

 

Acabamos identificando o coração

com as pessoas boas, amáveis.

Ela é uma pessoa que tem o coração bom”, ouvimos dizer.

 

O coração da pessoa que ama,

se ativo, não vê defeitos,

perdoa se foi ofendido.

 

Quem não perdoa

é a razão da pessoa orgulhosa.

 

A pessoa que ama

desperta no(a) amado(a)

desejos e ideais de perfeição.

 

A pessoa que ama

só pratica atos de bondade,

faz alguma coisa,

quer ver o(a) outro(a) feliz.

 

Quem age com a razão

pode esbarrar em alguma coisa

e bloquear-se.

 

Quem age mais com o coração,

deslancha,

supera todos os obstáculos

porque aciona a bomba das boas energias.

 

É mais atraente, mais simpática.

 

É mais contagiante.

 

O coração intui.

 

A intuição,

esta extraordinária capacidade

do ser humano,

aparece mais nas pessoas coracionais

do que nas pessoas com características preferencialmente racionais.

 

 

A razão barra,

fecha todas as portas

que podem abrir

para os campos místicos,

do mistério e do sagrado, do invisível.

 

A busca pela intuição

sugere o esforço da pessoa humana

em amordaçar a tagarelice

da mente humana

que não cessa nunca

de fabricar pensamentos.

 

Criar espaço para a intuição

é possibilitar um vazio espacial

em nossa mente

para criar espaço

para que escutemos

comunicações superiores

ao nosso estágio atual.

 

Se quisermos fazer parceria

com o Espírito Santo,

temos que deixar Ele

comunicar-se conosco.

 

O coração vê melhor

porque enxerga com o olhar da fé.

 

Ver com o olhar da fé

é olhar para a natureza,

para as coisas e pessoas,

como o próprio Deus Criador vê,

como o próprio Deus enxerga,

como o Deus Pai ama.

 

A divindade

quer comunicar-se conosco.

 

Quer doar seus dons.

 

Se existe um lugar

onde o Espírito Superior

pode se comunicar conosco

é no coração, onde é a casa do amor.

 

Se Deus é amor,

Deus mora no coração que ama.

 

Se o coração vê o essencial, vê o invisível,

e se abre para a dimensão

de profundidade

e verticalidade;

 

Se razão tudo explica,

na dimensão horizontal,

onde andamos com segurança,

sabendo o que temos nas mãos

e onde pomos nossos pés; 

parece que o coração tem mais força,

pois consegue elevar o horizontal

até a dimensão do Vertical,

dando sentido e significado

às ações humanas.

 

Parece que o coração tem mais força,

colocando o amor em circulação,

mostrando que a melhor filosofia de vida

é viver desapegado, livre de tudo,

partilhando tudo.

 

Enquanto bate o coração,

o amor palpita.




 

Eneas Paulo Budel Bogucheski


Atualizado em 31/05/2016.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Procura-se uma menina, mulher que não se perdeu. 22



Procura-se uma menina

com mais ou menos a sua altura,

olhos e cabelos iguais aos seus.

 

Vou dar mais alguns detalhes,

certamente a reconhecerá,

logo que olhar para ela.

 

Ela tem maneiras delicadas,

teimosa em cultivar

valores transparentes.

 

Veste-se simplesmente.

 

Comporta-se

de acordo com a sua própria idade.

 

É autêntica, espontânea.

Natural.

 

Guardou-se escondida,

até agora, para ser procurada.

 

Para ser procurada

por alguém que reconheça nela,

os valores não perecíveis, não camufláveis.

 

Procura-se uma menina

que se tenha preparado com esforço,

afim de alegrar e contentar aquele,

que um dia a iria procurar íntegra.

 

Procura-se uma menina,

que já seja mulher,

sem deixar de ser menina.

 

Uma menina,

que já seja mulher,

que goste de dançar,

de sorrir, de brincar como criança,

com espírito infantil, desapegada,

sem julgamentos e resistências.

 

Procura-se uma menina

que tenha estudado

a disciplina do verdadeiro amor,

generoso, sacrificado, compartilhado, compreensivo, humilde, alegre e espontâneo.

 

Que seja fiel,

nas alegrias e tristezas.

 

Procura-se uma menina,

mulher, que não se perdeu.

 

Procura-se uma menina, mulher,

que saiba colocar ordem no meu caos.

 

Que queira comigo fazer um compromisso,

para a vida toda,

que tenha coragem de exigir de mim

o comportamento

que lhe complete como pessoa,

com respeito e dignidade,

com diálogo que procura soluções,

com esforço que supera dificuldades.

 

Que me incentive

a não ser mole e covarde

diante das dificuldades.

 

Que me ajude, motivando-me.

 

Que olhe para mim,

apoiando-me sem usar nenhuma palavra.

 

Que se aproxime,

me dê as mãos e aperte-as.

 

Que ande e dance comigo,

dando os passos, no mesmo ritmo.

 

Procuro a menina mulher

que me ensine a ser responsável

e complete a metade que sou.

 

Procuro a menina mulher

que tem sede de perfeição,

que tenha aspirações profundas,

me veja, através da ‘menina dos meus olhos’,

além do que sou na aparência,

veja meus mistérios,

meus desejos de eternidade,

que sonhe com olhos abertos

e pense alto

as fantasias coloridas

na montagem do filme da nossa vida.

 

Procuro a menina mulher

que tenha capacidade de perder tempo, estudando-me, para saber

dos meus gostos e desgostos

e atenda às surpresas

que minhas expectativas sonharam.

 

Que seu charme feminino

carregue de coragem e entusiasmo

todo meu ser.

 

Procuro-te, menina escondida.

 

Continuarei procurando,

pois sei que você existe.

 

Continuarei procurando

porque não sei viver sozinho.

 

Sozinho, sou incompleto

e incapaz de completar-me.

 

Preciso ter alguém para quem viver,

para quem me dedicar,

para quem me ofertar, para me realizar, fazendo-te feliz, enchendo de vida meus dias.

 

Não quero dançar sozinho,

não quero dançar fora do ritmo,

sem sentir a melodia

da grande orquestra da vida.

 

Com você, juntos,

vibraremos e acertaremos o passo, definitivamente.

 

Contigo quero caminhar

pela Avenida Terra.

 

Veja como você me faz falta,

por isso, procuro-te.

 

Procuro-te

para que abra as portas e janelas

do meu pequeno mundo,

tirando-me de dentro de mim mesmo,

deixando livre o lugar que pertence a ti.

 

O lugar que existe dentro de mim,

é por você que deve ser preenchido.

 

Aí de mim, se não te encontrar.

 

Ficará um vazio aqui dentro.

 

Esse vazio quero transformá-lo num ninho,

no aconchego que você procura.

 

Procuro um alguém

que também esteja me procurando,

com igual idealismo e dedicação.
 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski


Criado em 28/06/1970.

Publicado e atualizado em 25/05/2016.