Não nascemos prontos.
De todos os animais,
nós também, animais
racionais,
só conseguimos
evoluir
porque temos a
capacidade racional
e a consciência.
Aprender e
aperfeiçoar-se continuamente
é a meta para o ser
humano.
Além das forças
instintivas
relacionadas com as
potencialidades dos animais, o ser humano carrega acoplado
duas outras
ferramentas
que o tornam capaz
de aperfeiçoamento
contínuo:
a razão e o espírito,
duas dimensões
superiores.
Não se acomodar,
é a lei suprema
para o ser humano
que deseja evoluir
e ultrapassar-se.
Não é para o ser
humano
permanecer apenas na dimensão de base,
no primeiro estágio
da vida,
a vida instintiva.
Acomodação.
Esta é uma forte
tendência humana.
Buscar o conforto e a
acomodação
é também uma das
maiores forças contrárias
à evolução e
aperfeiçoamento.
Então temos duas
forças antagônicas
dentro da nossa
própria personalidade:
uma quer estacionar;
a outra quer crescer,
evoluir,
adquirir cada vez
mais
maior qualidade de
vida.
A consciência
é a faculdade
superior
exercendo constante
avaliação,
percebendo se o carro
da nossa vida
está estacionado ou
movimentando-se.
Pois bem,
se na vida pessoal a
dinâmica é essa,
também é assim no
casamento,
na vida a dois, e na
vida profissional.
O casamento
não está formalizado
apenas com as
cerimônias do cartório,
com a cerimônia na
Igreja
e com a lua de mel.
O casamento
começa no dia
em que fizemos
aliança um com o outro.
A aliança que
colocamos no dedo um do outro
é símbolo permanente
de um compromisso de
aperfeiçoamento
que vai durar a vida
inteira.
Compromisso feito a
dois,
onde os dois se
esforçarão
para tornar a vida
dos dois,
uma só vida, uma
filosofia de vida,
um estilo de vida
escolhido e definido
pelos dois.
Isso é dinâmico.
Exige diálogo
contínuo, interação, exposição, abertura, cumplicidade e desejo de
aperfeiçoamento contínuo.
Não havendo esforço
para aquisição de
novos conhecimentos, acabaremos extinguindo
a frágil chama do
amor.
Para nada estamos
preparados.
Não nascemos prontos.
Viver a vida ao sabor
dos ventos,
apenas reagindo aos
convites
e as sugestões das
propagandas,
torna-nos
superficiais
e afastados das
exigências
de crescimento.
Casar, viver a dois
todos os dias,
é viver juntos
ou o maior tempo
possível, juntos.
Conviver.
Convivência.
A arte de conviver
supõe
aperfeiçoamentos.
Nunca estamos
perfeitos nessa arte.
Transformar a vida
pessoa,
a vida profissional,
o casamento numa obra
de arte
é um trabalho igual
ao do escultor
que pega uma pedra
bruta
e vai tirando o
excesso,
tirando lascas,
pedaços,
pontas,
alisando,
transformando a pedra
bruta
numa linda forma,
perfeita obra de
arte.
Toda obra de arte
é fruto de trabalho
diário,
de esforços, de
dedicação,
de pesquisas.
Uma estátua
nasce de uma pedra
bruta
e se transforma num
perfil humano
ou na figura
desejada.
Começa feia,
difusa e termina
bonita,
acabada.
Levar a vida pessoal,
a vida profissional
e o casamento
para um estágio
suficientemente exigente
de crescimento supõem
decisões,
para ler, estudar
e atualizar-se
constantemente.
A vida de uma pessoa
solitária é complexa.
Não nascemos para
viver só.
Somos animais e
pessoas humanas
que vivem em
sociedade,
em pequenas
fraternidades.
Gostamos de estar
juntos.
Uma vida
onde duas pessoas
diferentes
decidem viver juntas,
construir uma
família,
vai exigir muito,
muito mais
destas duas pessoas.
A maior concorrência
está na vida
profissional.
E é aqui que mais
empenhamos esforços, sacrifícios e dedicação férrea.
Aqui, neste campo
podem ocorrer
vários contratos.
Podem ocorrer
várias rescisões
e recontratações.
Existem muitos campos
profissionais
para trabalhar.
Vira e revira,
nos ajeitamos.
Não vemos o mesmo
esforço
para a construção,
conservação
e aprimoramento
pessoal,
e, principalmente da
vida a dois.
Biologicamente
estamos prontos para
o acasalamento,
não para o casamento.
Psicologicamente
e espiritualmente
nunca estamos
prontos.
Necessitamos
de treinamento
contínuo.
Aperfeiçoamo-nos
com a ajuda dos
outros.
Viver de acordo com
as marés das águas do mar ou das correntes de ventos,
nunca estaremos
ancorados e seguros,
firmes, e com as mãos
no volante do barco
ou do veículo.
Sem conhecimentos
sólidos
os engenheiros não
conseguiriam construir edifícios firmes e inabaláveis.
Sem conhecimentos
sólidos apropriados,
a construção de uma
família
pode correr o risco
de ser construída
sobre as areias do mar,
e o movimento das
marés
rapidamente derrubam
o frágil casal.
Nós dois teremos de
concordar
em ajudar-nos
um ao outro
no ideal
do aperfeiçoamento contínuo.
Não estamos prontos.
Estamos em
construção.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 01/06/2016.