Vamos criar uma cena, um
cenário, onde você é ao mesmo tempo o(a) diretor(a) da cena e o(a) personagem
que está dentro da cena.
Comece lendo o texto abaixo e lá no final, avalie o
seu desempenho dentro da peça que está sendo vivida.
...
Não nascemos prontos.
De
todos os animais, nós, animais racionais, só conseguimos evoluir porque temos a
capacidade racional e a consciência.
Aprender e aperfeiçoar-se continuamente é a meta para o ser
humano. Além das forças instintivas relacionadas com as potencialidades dos
animais, o ser humano carrega acoplado duas outras ferramentas que o tornam
possível de aperfeiçoamento contínuo: a razão e o espírito, duas dimensões
superiores.
Não podemos nos acomodar. Não podemos permanecer apenas na
dimensão de base, no primeiro estágio da vida.
Acomodação.
Esta é uma forte tendência humana. Buscar o conforto e a acomodação é também
uma das maiores forças contrárias à evolução e aperfeiçoamento.
Então
temos duas forças antagônicas dentro da nossa própria personalidade: uma quer
estacionar; a outra quer crescer, evoluir, adquirir cada vez mais maior
qualidade de vida.
A
consciência é a faculdade superior exercendo constante avaliação, percebendo se
o carro da nossa vida está estacionado ou movimentando-se.
Pois
bem, no casamento esta dinâmica está constantemente em ação.
O
casamento não está formalizado apenas com as cerimônias do cartório, com a
cerimônia na Igreja e com a lua de mel.
O
casamento começa no dia em que fizemos aliança um com o outro. A aliança que
colocamos no dedo um do outro é símbolo permanente de um compromisso que vai
durar a vida inteira. Compromisso feito a dois, onde os dois se esforçarão para
tornar a vida dos dois, uma só vida, uma filosofia de vida, um estilo de vida
escolhido e definido pelos dois. Isso é dinâmico. Exige diálogo contínuo,
interação, exposição, abertura, cumplicidade.
Entra
em cena também, a fidelidade: compromisso duplo de dedicação exclusiva durante
toda a vida.
Para
nada estamos preparados. Não nascemos prontos.
Viver
a vida ao sabor dos ventos, apenas reagindo aos convites e as sugestões das
propagandas, torna-nos superficiais e afastados das exigências de crescimento.
Casar,
viver a dois todos os dias, é viver juntos ou o maior tempo possível, juntos.
Conviver. Convivência. A arte de conviver supõe aperfeiçoamentos.
Transformar
o casamento numa obra de arte é um trabalho igual ao do escultor que pega uma
pedra bruta e vai tirando o excesso, tirando lascas, pedaços, pontas, alisando,
transformando a pedra bruta numa linda forma, perfeita obra de arte. Dois
escultores, dois artistas envolvidos com a arte.
Toda
obra de arte é fruto de trabalho diário, de esforços, de dedicação, de
pesquisas. Uma estátua nasce de uma pedra bruta e se transforma num perfil
humano ou na figura desejada. Começa feia, difusa e termina bonita, acabada.
Diferente é a construção do casamento, que começa e jamais atinge a perfeição
idealizada.
Levar
o casamento para um estágio suficientemente exigente de crescimento supõe que o
casal decida, juntos, ler e estudar temas relacionados à psicologia
comportamental, psicologia diferencial, temas relacionados à família, educação
dos filhos, espiritualidade conjugal, documentos e livros referentes ao
casamento.
A
vida de uma pessoa solitária é complexa. Uma vida onde duas pessoas diferentes
decidem viver juntas, construir uma família, vai exigir muito, muito mais destas
duas pessoas.
Viver
de acordo com as marés das águas do mar ou das correntes de ventos, não nos levará ao porto seguro.
A lei do menor esforço nunca produziu grandes vitórias.
Sem
conhecimentos sólidos os engenheiros não conseguiriam construir edifícios resistentes.
Sem
conhecimentos sólidos apropriados, a construção de uma família pode correr o
risco de ser construída sobre as areias do mar. O movimento das marés
rapidamente derrubam o frágil casal.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 22/05/2015.