terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Família, promovida para Igreja doméstica. 36



       Os tempos mudaram.

       A fala do Papa, dos Bispos e sacerdotes também mudaram.

       As Igrejas estão cada vez mais vazias.

       As família, cada vez com menos filhos, menos netos, menos parentes, menos gente em casa.  

       A história também muda.

       A leitura que fazemos do mundo, da sociedade atual também não é mais aquela de cinquenta anos atrás. 

       O concílio Vaticano II, em 1965, no documento Lumen Gentium, referindo-se ao papel dos pais na família, chama a família de Igreja Doméstica. 

              O decreto Apostolicam Actuositatem, do Vaticano II, retoma a ideia de que a família é uma Igreja Doméstica. 

       O Papa João Paulo II, na exortação apostólica Familiaris Consortio sublinhou a missão da família cristã, como Igreja Domestica, realçando que ela deve ser a educadora da fé e evangelizadora. 

       E então, a partir dos documentos elaborados pelos Bispos e divulgado pelo Papa, todas as famílias cristãs receberam a responsabilidade de transformar seus lares em Igreja, pequenas igrejas.

       Igreja é um santuário. É um lugar sagrado, lugar de oração e de manifestações de afeto, tolerância, carinho, ternura, compreensão, diálogo. Tudo isso foi transferido para os lares cristãos, para a família. 

       Neste contexto revolucionário, cada cristão consciente poderá transformar sua casa, se não numa igreja, pelo mais numa capela, num lugar de encontro de vizinhos, reunindo-se semanalmente em pequenos grupos.

       Em 2007, na Igreja do Bairro do Portão, em Curitiba, foi fundado pelo vigário da época, Padre Sérgio, vários grupos de Reflexão e oração, alguns ativos até hoje. 

       Na grande Igreja, nos encontros dominicais, nas missas, os cristãos não tem oportunidade para falar, para comunicar seus problemas, suas dúvidas. Não tem como ser ajudado na solução dos seus problemas.

       Há um novo jeito de ser Igreja. Ser igreja participativa, envolvente, fraterna, próxima, solidária, responsável, perseverante. 

       Acreditamos que é aí, nesta igreja próxima, íntima que mais fácil colocamos em ação nossos dons, partilhamos as experiências da nossa vida, temos oportunidade de conhecer cada um pelo nome, fortalecer nossos laços de amizade e ajudar-nos, buscando juntos a sabedoria, lendo, estudando e escutando a Palavra do nosso Paizinho e vivendo mais intensamente como irmãozinhos afetivos. 

       Onde duas ou mais pessoas se reúnem em nome do Jesus Cristo, ele prometeu “Estarei aí, no meio”. 

       Diferente é a participação do cristão num Grupo de Reflexão, onde nos reunimos em nossas próprias casas, em até dez pessoas, uma vez por semana, onde cada um tem oportunidade para partilhar a sua vida, contar seus problemas e receber ajuda, orientações ou testemunhos de vida dos participantes. 

       Nosso grupo foi batizado com o nome de Reflexos do Amor do Jesus Cristo. Estamos nos reunindo desde maio de 2007. Começamos com seis pessoas, hoje estamos com nove. Ninguém desistiu. 

Usamos o livro Caminhando, elaborado anualmente pela Diocese de Curitiba. 

Somos todos vizinhos. Residimos em dois Condomínios, um ao lado do outro. 

Ninguém usa carro. Só os pés, a boa vontade, a perseverança, e a obediência aos ensinamentos do Papa ... transformar nossas famílias em Igrejas domésticas. 

Acontece sim, conversão, mudança, preocupação pela prática, pela construção da casa sobre a rocha. 

A Fé é importante, a esperança também, mas a caridade, o amor colocado em prática é que produzirá a transformação da nossa vida, da vida de cada um, de cada família, do condomínio, do bairro, da cidade e da sociedade toda. 

Procure o vigário da sua paróquia e peça para fazer parte de um Grupo de Reflexão. 

Ou então, monte uma equipe, um time, entre cinco e dez pessoas e adquira o livro “Caminhando”, solicite a presença de alguém que já faça parte de um grupo para ajudar a iniciar a caminhada da Igreja Doméstica de vocês. 

Estou disponível. Entre em contato, aqui em Curitiba, pelo fone 41-98854-5166 ou pelo e-mail abaixo.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 12/12/2016


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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Quem sou eu? – Sou um desconhecido de mim mesmo 35.

       Se você, leitor ou leitora, for corajoso(a) e coerente com você mesmo, vai ler este texto e perceber quanto você não se conhece. 


Nem todo aquele que me diz:
Senhor, Senhor’,
entrará no Reino dos céus,
mas sim aquele
que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.
Aquele, pois,
que ouve estas minhas palavras
e as põe em prática
é semelhante
a um homem prudente,
que edificou sua casa sobre a rocha.
Caiu a chuva, vieram as enchentes,
sopraram os ventos
e investiram contra aquela casa;
ela, porém, não caiu,
porque estava edificada na rocha.
Mas aquele que ouve as minhas palavras
e não as põe em prática
é semelhante a um homem insensato,
que construiu sua casa na areia.
Caiu a chuva, vieram as enchentes,
sopraram os ventos
e investiram contra aquela casa;
ela caiu e grande foi a sua ruína.
Mateus 7,21-27.


       Para entrar no Reino dos Céus, no reino da paz, da transparência e da coerência, no reino do amor, terás que ler e admitir que você está longe de merecer o nome de cristão ou cristã. 


       Para entrar e pertencer ao Reino do Deus Pai terás de amar o Deus Pai acima de todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo(a). 


       Só que as tuas atitudes demonstram que você não se ama nem a si mesmo(a), quanto mais o seu próximo que você vê e menos ainda o Deus que você não vê.


       Terás que admitir que és de fato uma pessoa desconhecida de si mesma, ignorante da sua finalidade, usuária de muitas máscaras.


       Sua aparência, a imagem que você cultua de si, te fecha em si mesmo(a) fazendo-se referência a tudo e a todos. 


Você cultua um deus humano, cheio de defeitos e se acha o(a) tal.


       Pura ilusão.
       Tu és desobediente.
       Construiu a tua casa sobre a areia.
       Tua casa está desmoronada. 


       Você não se ama a si mesmo porque não se conhece. 

       Você não se conhecendo, não conhece o teu próximo. 

       Você ainda não conhece e nem leva a sério o teu Deus, o teu Criador porque você vive como se Ele não existisse. 


       A prova está em sua desobediência em praticar a lei do amor. 


Sua vida é difícil porque você assim quer. 


Você ainda não escolheu o melhor caminho, prova de que é egoísta, fechado(a). 


       A sua teimosia em ouvir e colocar em prática as atitudes amorosas, de boa pessoa, bom cristão, entram por suas orelhas e não produzem os efeitos que a palavra divina quer provocar: a sua conversão, mudanças, aperfeiçoamento na arte do relacionamento agradável.


       Você não é agradável. (Pense a partir desta realidade).


       Você é um peso para quem vive ao seu lado. (Pode até não ser, mas avalie-se como se fosse difícil alguém viver com você). 


       Veja como você não vive no Reino dos céus. 


       Experimente como você se sente: você vive no reino do inferno. Sua vida é um inferno, por isso você inferniza a vida dos outros. 


       Sua vida é um inferno por ignorância.

       Ignorância de si mesmo.

       Ignorância da dignidade de quem convive com você.


        Ignorância do teu Deus e Criador que te ama e quer que você seja feliz e que você faça a felicidade de quem convive próximo a você. 


       A sua indiferença diante da dignidade do teu cônjuge, dos teus pais, dos teus filhos, dos teus vizinhos, amigos de grupo, de equipe, demonstra que você só vive dentro de você.

      
        Você não presta atenção nas qualidades dos outros.


        Você não percebe o esforço e a vontade que os outros tem em te ajudar. 


       Você acha que não precisa de ajuda. 

      
       Prefere viver neste triste ambiente íntimo que você escolhe ou aceita viver. 


       Você é teimoso(a). Sofre porque quer sofrer. 


       Se você decidir melhorar, você viverá mais feliz. 


A condição é: preocupar-se em fazer os outros mais felizes. 


       Pergunte à pessoa com quem você convive: “Como posso me comportar para ver você feliz? Como podemos nos ajudar?” 


       Ou então, compre e leia os livros do escritor Eckhart Tolle que ensina como despertar e ativar a consciência. Ensina como libertar-se do ego que esconde a nossa verdadeira personalidade, aquela, a boa. 


       Você é triste e vive frustrado(a) porque ainda não se conhece. 


É isto mesmo. Você não se conhece. 


Você só usa máscaras. 


Não tens sido autentico(a). Só a pessoa que se conhece é autêntica. 


Autêntica é a pessoa humilde. 


A pessoa humilde conhece e reconhece suas fraquezas, suas imperfeições. 


       Só serás feliz se a tua razão de ser for fazer feliz o outro, teu companheiro, teu complemento.


       Como é que você vai evoluir, crescer, se não ajuda a outra parte, a tua outra parte e a ser melhor?


       O outro, teu companheiro de viagem, é a parte que te completa. 


Aperfeiçoe a sua capacidade de ajudar. 


Aperfeiçoe a sua capacidade de aceitar ajuda. 



Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 05/12/2016


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