Hoje, esta palavra charme, não se houve
mais.
Mas ele está por aí.
Existe
uma qualidade na mulher que faz os homens elevarem-se acima do chão da vida.
Faz o sangue fervilhar alegremente nas veias e aumentar a temperatura do corpo
todo.
Faz
os ouvidos zumbirem e os olhos brilharem.
As
pernas amolecem.
A
imaginação pinta paisagens pitorescas.
O
homem fica meio abobado, sai da real e viaja na maionese.
Ah! esse teu charme, mulher.
Este
teu charme é o encanto da sereia. É a tua arma mais eficiente, a sedução contra
a qual há poucas defesas.
Com
este teu charme você não precisa de dinheiro, nem de cosméticos e tampouco de
muita ou pouca roupa.
O
charme é algo concedido para as mulheres gastarem, e quanto mais usado, mais
resta. Não é preciso dinheiro nem aparências.
Mulher, basta-te o teu charme.
O charme é, na mulher, uma potência.
O
homem cativado pelo charme da mulher, em pleno inverno, vive como se estivesse
curtindo um perpétuo verão, sem controle, deslumbrado, pairando ou deslizando
como uma pipa no espaço cheio de nuvens.
Esse teu charme, mulher funciona como
uma faísca invisível, no ar. Se for visto funcionando, quebrará o encanto. O
charme é dinâmico: não pode ser ligado ou desligado à vontade.
Não se faz curso para adquirir charme.
Se
perguntar qual é a fórmula para fazer o charme funcionar, parece-me, ainda, que
não existe ou não foi encontrada.
Mas
o poeta, com a sua sensibilidade, presta um pouquinho mais de atenção,
antena-se com a feminilidade, e arrisca, e percebe nas entrelinhas e nas
entrecurvas, por onde o charme se mostra.
O charme é uma mistura de
ingredientes.
É a mesma fórmula dos mistérios.
O charme, em você mulher é uma luzinha
que brilha na menina dos teus olhos.
O charme, em você mulher, só em você
mulher, se percebe pela atitude feminina do acolhimento, de aceitação, como se
estivesse com os dois braços abertos, a espera de um caloroso abraço.
O charme, em você mulher é aquele ar e
atmosfera de satisfação e elevação provocada no homem, seu admirador. De ti sai
uma áurea invisível a envolver o homem, cativo, do teu feitiço charmoso.
O charme feminino age tão
violentamente até na hora da despedida quando o homem se afasta da sua
presença, sem querer afastar-se.
Dá
um passo indeciso para trás, sem querer virar-se.
Dá
um aceno de despedida com um nó na garganta, e sai, e vai pesaroso, manhoso, para
longe, onde não quer ir, pois está sentindo que está deixando algo de si.
Quando o charme atua, age para valer.
Quando cativado, não consigo dizer que você é “quase charmosa” ou “parcialmente
charmosa”. Não fico parcialmente encantado. O charme feminino atinge o homem
totalmente, em toda sua estrutura animal e racional.
Você
olha para o homem e escuta ele, cativado, dizendo: fiquei totalmente encantado por você, sem palavras, tomado, absorvido
por você. Sim, isto mesmo, ele não consegue dizer ... fica sem palavras,
mas você consegue ler a expressão corporal dele, gagueando isso.
Tenho a impressão, quase certeza, de
que uma mulher que tem charme não acha nenhum homem aborrecido.
Um
homem, com uma mulher charmosa ao lado, torna-se não somente uma pessoa
diferente, mas a pessoa perfeita que desejaria ser: ouve, admira, olha nos
olhos, na profundidade do olhar, e quase nada escuta, só passarinhos a cantar.
Torna-se
um admirador. Eleva a mulher ao seu pedestal merecido.
Uma
mulher charmosa ressuscita o homem morto dentro daquele corpo inconsciente,
quase em estado de coma. Dá vida às fantasias mais secretas que fervilham na
mente do homem.
Mulher,
este teu charme presente através do seu olhar atencioso, minucioso, e da sua
voz íntima e envolvente, encanta o mais petrificado homem, devolvendo-lhe o que
havia perdido da sua natureza de adorador.
O teu charme, mulher, é que faz o
homem sair de si em direção a ti; faz o homem procurar-te para encontrar a sua
mais profunda natureza. É em você, mulher, que o homem encontra a parte que lhe
falta.
Não, não é verdade que os homens
gostam de se encontrar entre eles. Se eles se encontram é para falar sobre o
charme da sua própria princesa.
Entre
os homens, são homens.
Quando
cada um se encontra com sua charmosa princesa, o homem se transforma em um ser
de outra natureza, mais perfeita, quase angelical, já mais divinizado.
Continua
no próximo capítulo.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 26/01/2016.