terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Ah! esse teu charme mulher! 18



Hoje, esta palavra charme, não se houve mais.

 

Mas ele está por aí.

 

Existe uma qualidade na mulher que faz os homens elevarem-se acima do chão da vida. Faz o sangue fervilhar alegremente nas veias e aumentar a temperatura do corpo todo.

 

Faz os ouvidos zumbirem e os olhos brilharem.

 

As pernas amolecem.

 

A imaginação pinta paisagens pitorescas.

 

O homem fica meio abobado, sai da real e viaja na maionese.

 

Ah! esse teu charme, mulher.

 

Este teu charme é o encanto da sereia. É a tua arma mais eficiente, a sedução contra a qual há poucas defesas.

 

Com este teu charme você não precisa de dinheiro, nem de cosméticos e tampouco de muita ou pouca roupa.

 

O charme é algo concedido para as mulheres gastarem, e quanto mais usado, mais resta. Não é preciso dinheiro nem aparências.

 

Mulher, basta-te o teu charme.

 

O charme é, na mulher, uma potência.

 

O homem cativado pelo charme da mulher, em pleno inverno, vive como se estivesse curtindo um perpétuo verão, sem controle, deslumbrado, pairando ou deslizando como uma pipa no espaço cheio de nuvens.

 

Esse teu charme, mulher funciona como uma faísca invisível, no ar. Se for visto funcionando, quebrará o encanto. O charme é dinâmico: não pode ser ligado ou desligado à vontade.

 

Não se faz curso para adquirir charme.

 

Se perguntar qual é a fórmula para fazer o charme funcionar, parece-me, ainda, que não existe ou não foi encontrada.

 

Mas o poeta, com a sua sensibilidade, presta um pouquinho mais de atenção, antena-se com a feminilidade, e arrisca, e percebe nas entrelinhas e nas entrecurvas, por onde o charme se mostra.

 

O charme é uma mistura de ingredientes.

 

É a mesma fórmula dos mistérios.

 

O charme, em você mulher é uma luzinha que brilha na menina dos teus olhos.

 

O charme, em você mulher, só em você mulher, se percebe pela atitude feminina do acolhimento, de aceitação, como se estivesse com os dois braços abertos, a espera de um caloroso abraço.

 

O charme, em você mulher é aquele ar e atmosfera de satisfação e elevação provocada no homem, seu admirador. De ti sai uma áurea invisível a envolver o homem, cativo, do teu feitiço charmoso.  

 

O charme feminino age tão violentamente até na hora da despedida quando o homem se afasta da sua presença, sem querer afastar-se.

Dá um passo indeciso para trás, sem querer virar-se.

 

Dá um aceno de despedida com um nó na garganta, e sai, e vai pesaroso, manhoso, para longe, onde não quer ir, pois está sentindo que está deixando algo de si.

 

Quando o charme atua, age para valer. Quando cativado, não consigo dizer que você é “quase charmosa” ou “parcialmente charmosa”. Não fico parcialmente encantado. O charme feminino atinge o homem totalmente, em toda sua estrutura animal e racional.

 

Você olha para o homem e escuta ele, cativado, dizendo: fiquei totalmente encantado por você, sem palavras, tomado, absorvido por você. Sim, isto mesmo, ele não consegue dizer ... fica sem palavras, mas você consegue ler a expressão corporal dele, gagueando isso.  

 

Tenho a impressão, quase certeza, de que uma mulher que tem charme não acha nenhum homem aborrecido.

 

Um homem, com uma mulher charmosa ao lado, torna-se não somente uma pessoa diferente, mas a pessoa perfeita que desejaria ser: ouve, admira, olha nos olhos, na profundidade do olhar, e quase nada escuta, só passarinhos a cantar.

 

Torna-se um admirador. Eleva a mulher ao seu pedestal merecido.

 

Uma mulher charmosa ressuscita o homem morto dentro daquele corpo inconsciente, quase em estado de coma. Dá vida às fantasias mais secretas que fervilham na mente do homem.

 

Mulher, este teu charme presente através do seu olhar atencioso, minucioso, e da sua voz íntima e envolvente, encanta o mais petrificado homem, devolvendo-lhe o que havia perdido da sua natureza de adorador.

 

O teu charme, mulher, é que faz o homem sair de si em direção a ti; faz o homem procurar-te para encontrar a sua mais profunda natureza. É em você, mulher, que o homem encontra a parte que lhe falta.

 

Não, não é verdade que os homens gostam de se encontrar entre eles. Se eles se encontram é para falar sobre o charme da sua própria princesa.

 

Entre os homens, são homens.

 

Quando cada um se encontra com sua charmosa princesa, o homem se transforma em um ser de outra natureza, mais perfeita, quase angelical, já mais divinizado.

 

Continua no próximo capítulo.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 26/01/2016.