quarta-feira, 1 de junho de 2016

Para nada estamos preparados. Não nascemos prontos. 24



Não nascemos prontos.

 

De todos os animais,

nós também, animais racionais,

só conseguimos evoluir

porque temos a capacidade racional

e a consciência.

 

Aprender e aperfeiçoar-se continuamente

é a meta para o ser humano.

 

Além das forças instintivas

relacionadas com as potencialidades dos animais, o ser humano carrega acoplado

duas outras ferramentas

que o tornam capaz

de aperfeiçoamento contínuo:

a razão e o espírito,

duas dimensões superiores.

 

Não se acomodar,

é a lei suprema

para o ser humano

que deseja evoluir

e ultrapassar-se.

 

Não é para o ser humano

 permanecer apenas na dimensão de base,

no primeiro estágio da vida,

a vida instintiva.

 

Acomodação.

Esta é uma forte tendência humana.

 

Buscar o conforto e a acomodação

é também uma das maiores forças contrárias

à evolução e aperfeiçoamento.

 

Então temos duas forças antagônicas

dentro da nossa própria personalidade:

uma quer estacionar;

a outra quer crescer,

evoluir,

adquirir cada vez mais

maior qualidade de vida.

 

A consciência

é a faculdade superior

exercendo constante avaliação,

percebendo se o carro da nossa vida

está estacionado ou movimentando-se.

 

Pois bem,

se na vida pessoal a dinâmica é essa,

também é assim no casamento,

na vida a dois, e na vida profissional.

 

O casamento

não está formalizado

apenas com as cerimônias do cartório,

com a cerimônia na Igreja

e com a lua de mel.

 

O casamento

começa no dia

em que fizemos aliança um com o outro.

 

A aliança que colocamos no dedo um do outro

é símbolo permanente

de um compromisso de aperfeiçoamento

que vai durar a vida inteira.

 

Compromisso feito a dois,

onde os dois se esforçarão

para tornar a vida dos dois,

uma só vida, uma filosofia de vida,

um estilo de vida

escolhido e definido pelos dois.

 

Isso é dinâmico.

 

Exige diálogo contínuo, interação, exposição, abertura, cumplicidade e desejo de aperfeiçoamento contínuo.

 

Não havendo esforço

para aquisição de novos conhecimentos, acabaremos extinguindo

a frágil chama do amor.

 

Para nada estamos preparados.

 

Não nascemos prontos.

 

Viver a vida ao sabor dos ventos,

apenas reagindo aos convites

e as sugestões das propagandas,

torna-nos superficiais

e afastados das exigências

de crescimento.

 

Casar, viver a dois

todos os dias,

é viver juntos

ou o maior tempo possível, juntos.

 

Conviver.

 

Convivência.

 

A arte de conviver

supõe aperfeiçoamentos.

 

Nunca estamos perfeitos nessa arte.

 

Transformar a vida pessoa,

a vida profissional,

o casamento numa obra de arte

é um trabalho igual ao do escultor

que pega uma pedra bruta

e vai tirando o excesso,

tirando lascas,

pedaços,

pontas,

alisando,

transformando a pedra bruta

numa linda forma,

perfeita obra de arte.

 

Toda obra de arte

é fruto de trabalho diário,

de esforços, de dedicação,

de pesquisas.

 

Uma estátua

nasce de uma pedra bruta

e se transforma num perfil humano

ou na figura desejada.

 

Começa feia,

difusa e termina bonita,

acabada.

 

Levar a vida pessoal,

a vida profissional

e o casamento

para um estágio suficientemente exigente

de crescimento supõem decisões,

para ler, estudar

e atualizar-se constantemente.

 

A vida de uma pessoa solitária é complexa.

 

Não nascemos para viver só.

 

Somos animais e pessoas humanas

que vivem em sociedade,

em pequenas fraternidades.

 

Gostamos de estar juntos.

 

Uma vida

onde duas pessoas diferentes

decidem viver juntas,

construir uma família,

vai exigir muito, muito mais

destas duas pessoas.

 

A maior concorrência

está na vida profissional.

 

E é aqui que mais empenhamos esforços, sacrifícios e dedicação férrea.

 

Aqui, neste campo

podem ocorrer

vários contratos.

 

Podem ocorrer

várias rescisões

e recontratações.

 

Existem muitos campos profissionais

para trabalhar.

 

Vira e revira,

nos ajeitamos.

 

Não vemos o mesmo esforço

para a construção, conservação

e aprimoramento pessoal,

e, principalmente da vida a dois.

 

Biologicamente

estamos prontos para o acasalamento,

não para o casamento.

 

Psicologicamente

e espiritualmente

nunca estamos prontos.

 

Necessitamos

de treinamento contínuo.

 

Aperfeiçoamo-nos

com a ajuda dos outros.

 

Viver de acordo com as marés das águas do mar ou das correntes de ventos,

nunca estaremos ancorados e seguros,

firmes, e com as mãos no volante do barco

ou do veículo.

 

Sem conhecimentos sólidos

os engenheiros não conseguiriam construir edifícios firmes e inabaláveis.

 

Sem conhecimentos sólidos apropriados,

a construção de uma família

pode correr o risco

de ser construída sobre as areias do mar,

e o movimento das marés

rapidamente derrubam o frágil casal.

 

Nós dois teremos de concordar

em ajudar-nos

um ao outro

no ideal

do aperfeiçoamento contínuo.

 

Não estamos prontos.

 

Estamos em construção.

 

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski


Atualizado em 01/06/2016.

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