sábado, 23 de maio de 2015

Envolvidos numa só aventura 3

       Quando resolvemos nos unir, aceitamos o que está claro e o que não está bem claro ainda.

Aceitamos os ativos e os passivos, os direitos e os deveres, o que é bom e o que é ruim.

Aceitamos compartilhar as alegrias e as tristezas. 

Aceitamos festejar os sucessos e a partilhar os fracassos e momentos difíceis.

Coloco como um dos pilares na construção da vida a dois, o conhecimento de si mesmo. 

Conhecer-se a si mesmo é a pedra fundamental em cima da qual teremos condições de construir qualquer grande obra, capaz de suportar pressões, conflitos, pressões e catástrofes. 

Conhecer-se a si mesmo é a base onde são construídas as maiores alegrias da vida. 

       Quando nos unimos, somos dois egos chucros.

Estes dois egos chucros deverão ser domados, domesticados, aproveitando as energias brutas que carregam para transformar em obras robustas na arte do relacionamento.

       Seria covardia de um, fugir ou não querer participar das dores, angústias e tristezas do outro. 

     É ridículo e contraditório deixar o outro curtir sozinho a tristeza que o cônjuge está curtindo.

       Exemplos: Se tiver que levar o filho ao médico, não é comigo. Se tiver que levá-lo ao parque, deixa comigo. Se tiver que levar bronca da diretora da escola, não é comigo. Vai você.

       É de fundamental importância, no relacionamento a dois ou mais pessoas, conhecer como o ego se comporta dentro da estrutura da nossa personalidade.

       Gostaria de aproveitar a oportunidade para sugerir a você a compra de um livro que trata do ego e da consciência desperta.

Existem hoje muitos livros que tratam do ego, do ego negativo, do ego superior. O primeiro livro que indico é do autor Eckhart Tolle, “Um Novo Mundo - O Despertar de uma nova Consciência”, editora Sextante.

O ego geralmente é negativo e orgulhoso. 

É o meu ego o maior causador de sofrimentos no ego do outro.

Portanto, conheça o teu ego e dome-o, domestique-o para que não aconteçam desmoronamentos na construção da tua vida a dois ou a três.

       Transcrevo abaixo algumas citações retiradas do livro indicado acima. Quando a citação for transcrita de outro livro, a indicação da fonte estará anexa.  

Orientações importantes antes de começar a ler:

       1 - Não tenha pressa em ler tudo de uma vez. Vá com calma, parando, refletindo, olhando-se dentro do contexto. Mais uma vez te digo: não tenha pressa em ir adiante. Lentamente você terá muito mais proveito. Leia o que te chamou a atenção. Releia. Pare. Feche os olhos e reflita, reveja-se dentro da situação que o texto sugere. Lembre-se que a pressa é inimiga da perfeição. A pressa mantém a visão somente na superfície. Aqui, é necessário aceitar o desafio e entrar na profundidade, na verdade que liberta.  

       2 - Esta é uma leitura individual. Faça esta leitura sózinho(a). Depois de alguns dias, observando-se e observando seu cônjuge, perceba como o ego superficial, o eu desconhecido é quem mais atua na nossa vida, e, o eu autêntico, o eu consciente, quase não tem chances de manifestar-se, por isso, os conflitos.

       3 – Quem vai resolver os conflitos, quem vai ajudar a passar de fase, é o teu eu superior, a consciência desperta. A consciência é aquela parte superior que existe em nós que assume atitudes de compreensão, não de julgamento. Procura o diálogo, a paz, busca soluções com serenidade.

       Comecemos:

Ego. É importante conhecer e reconhecer os principais mecanismos do ego. Você deve conhecer o mecanismo básico por trás do funcionamento do ego, com isso você o detectará e ele não irá enganá-lo. O ego é um impostor que finge ser você. O ato do reconhecimento é uma das maneiras pelas quais acontece o despertar (Página 14 e 15, Eckhart Tolle, Um mundo novo, O despertar de uma nova consciência).

O ego é um distúrbio que trazemos dentro de nós. (p.19)

O ego não é mais do que isto: identificação com a forma, o que basicamente corresponde a formas de pensamentos. (p.26)

Uma das mais básicas estruturas mentais que possibilita a existência do ego é a identificação. (26)

Tentamos nos encontrar nas coisas, porém, nunca conseguimos fazer isso inteiramente e acabamos nos perdendo nelas. Essa é a sina do ego. (p.36)

O ego não é pessoal. Ele não é quem você é. Esse sentimento de orgulho, de precisar aparecer, o engrandecimento aparente do eu por meio de ‘mais do que’ e sua diminuição por meio de ‘menos do que’ não está certo nem errado: isso é o ego. (p.42)

O ego tende a equiparar ter (posse) com ser: eu tenho, portanto, sou. (p. 45)

O ego se identifica com o possuir. Permanece sempre um sentimento profundo de insatisfação, de estar incompleto, de ‘não é o bastante’, ‘não tenho o suficiente’. Com isso o que o ego de fato quer dizer é: ‘não sou o bastante ainda’. (p. 46)

Nada fortalece mais o ego do que ‘estar certo’. O ego adora apontar a falha para que possa mostrar que está certo. (p. 63)

Estarmos certos nos coloca numa posição se superioridade moral imaginada em relação à pessoa ou situação que está sendo julgada. É esse sentimento de superioridade que o ego adora e por meio do qual se destaca. (p 64)

O ego leva ludo para o lado pessoal. (p. 64) mas não é pessoal. (p.68)

Todo ego confunde opiniões e pontos de vista com fatos. Além disso, nenhum ego consegue estabelecer a diferença entre um acontecimento e a sua reação a ele. O ego é sempre um mestre da percepção seletiva e da interpretação distorcida. (p. 65)

O ego ao querer demonstrar que ‘está certo’, está querendo dizer que é superior. (p. 69)

Os defeitos ou desequilíbrios que vemos nos outros e à qual reagimos também existe em nós. Mas não é mais do que uma forma do ego, e como tal, é impessoal. Não tem nada a ver com quem a pessoa é ou com quem nós somos. Somente se a confundirmos com nossa identidade ela pode representar uma ameaça à nossa percepção do eu. (70).

Reconheça o ego por aquilo que ele é: um distúrbio coletivo, a insanidade da mente humana. (p 71) Ninguém está errado: é apenas o ego em alguém, manifestando-se.

Seja qual for a forma que assuma, a motivação inconsciente por trás do ego é fortalecer a imagem de quem nós pensamos que somos, o eu fantasma que passa a existir quando o pensamento (uma enorme benção, assim como uma grande maldição) começa a dominar e a obscurecer a simples, e ainda profunda, alegria da conectividade com o nosso Criador, nossa origem, nosso Deus e Pai. (p. 74)

Independentemente do comportamento que o ego manifeste, a força motivadora oculta é sempre a mesma: a incessante necessidade de aparecer, ser especial, estar no controle, ter poder, ganhar atenção. (p. 74). E há ainda a sutil necessidade de experimentar uma sensação de isolamento, como alguém autossuficiente, independente de tudo e de todos, como se não dependesse de nada nem de ninguém. (p. 74).

Comentário do Eneas: Observe como é assim mesmo. Acho que está aqui a origem da dificuldade ou as resistências que opomos no relacionamento com o Deus Pai. Nossa vida espiritual poderia ser muito mais fácil se não houvesse estas resistências inconscientes batalhando contra nossa união com nosso Criador. 

O ego sempre quer alguma coisa das pessoas ou das situações. Há sempre um plano oculto, um sentimento de ‘ainda não é o bastante’, de insuficiência, de falta, que precisa ser atendido. Em geral, o ego vive frustrado com seus objetivos (na maior parte do tempo, a lacuna entre o “eu quero” e “o que acontece” torna-se uma fonte constante de aborrecimento e angústia. (p. 74).

A emoção que governa todas as atividades do ego é o medo. O medo de não ser ninguém, o medo da não-existência, o medo da morte, o medo de perder bens, medo do fracasso, medo de ser roubado, diminuído, humilhado, desprezado, desconsiderado. Todas as ações do ego têm por finalidade eliminar este temor. No entanto, o máximo que o ego consegue é encobri-lo temporariamente, seja com um relacionamento íntimo, a aquisição de um novo bem ou tendo um bom desempenho numa ou outra coisa. A ilusão nunca nos satisfaz.  Apenas a verdade de quem nós somos, se compreendida, nos libertará. (p. 74-75). 

Por que o medo? Porque o ego surge pela identificação com a forma e, na verdade, ele sabe que nenhuma forma é permanente, que todas elas são transitórias. Assim, há sempre um sentimento de insegurança ao seu redor, mesmo que externamente ele pareça confiante. (p. 75).

Existem muitas formas sutis de ego que, mesmo sendo tênues, podemos observar com facilidade nas pessoas e em nós mesmos. Lembrem-se: no momento em que nos tornamos conscientes do nosso ego, essa consciência emergente é quem somos além do ego, o “eu” profundo. O reconhecimento do falso ego já é o surgimento do real. (p. 76)

Uma relação autêntica é aquela que não é dominada pelo ego, que está sempre voltada para a construção da sua imagem e para a busca do eu. Num relacionamento genuinamente autêntico, há um fluxo de atenção plena e receptiva que é dirigido à outra pessoa, e nele não cabe nenhum outro querer. Essa atenção plena é a presença, o pré-requisito para todo relacionamento autêntico. O ego age sempre da seguinte forma: ou quer alguma coisa ou, se acredita que não existe nada para obter do outro, assume um estado de profunda indiferença e não se preocupa com ele. Assim, os três estados predominantes dos relacionamentos egóicos são: o querer, o querer insatisfeito (= raiva, ressentimento, acusação, queixa) e a indiferença. Pg. 78.

Interpretação de papeis: as muitas faces do ego. Um ego que quer alguma coisa do outro, em geral representa um tipo de papel para satisfazer suas necessidades, que podem ser:  ganho material; sensação de poder; sensação de superioridade; sensação de ser alguém especial; sensação de um sentimento de gratificação, seja física ou psicológica. Em geral as pessoas não têm nenhuma consciência dos papéis que representam. Elas são estes papéis. Alguns deles são tão sutis, enquanto outros são claros, exceto para quem os interpreta. Há aqueles criados com o único objetivo de atrair atenção de alguém. O ego prospera quando angaria a atenção dos outros, porque ela é, acima de tudo, uma energia psíquica. Como não sabe que a origem de toda a energia está dentro da pessoa, ela a procura externamente.  Porém, sua busca não é pela atenção sem forma, a presença, e sim pela atenção numa forma, como reconhecimento, elogio e admiração. Certas vezes, só o fato de ser notado de alguma maneira já vale como um reconhecimento da sua existência. (pg. 79)

Uma pessoa tímida que tem medo da atenção dos outros não está livre do ego. Neste caso, o ego é ambivalente, pois tanto quer quanto teme a atenção externa. O temor é de que a atenção possa tomar a forma de desaprovação ou crítica, isto é, algo que diminua a percepção do eu em vez de aumenta-la. Portanto, o medo que a pessoa tímida tem da atenção é maior do que a necessidade que tem dela. A timidez costuma ser acompanhada de uma autoimagem predominantemente negativa, a crença de ser inadequado. Qualquer percepção conceitual do eu – ver a si mesmo como isso ou aquilo – é o ego, seja ele favorável (eu sou o maior) ou desfavorável (não sou bom). Por trás de toda autoimagem negativa está o desejo de ser o maior ou melhor do que os outros. Oculto pelo confiante e contínuo sentimento de superioridade do ego encontra-se o medo inconsciente de ser inferior. De modo inverso, o ego tímido, que se sente inapropriado e menor, tem um forte desejo camuflado de superioridade. Tudo o que devemos saber e observar em nós mesmos é isso: sempre que nos sentirmos superiores ou inferiores a alguém, isso é o ego em ação. (p. 79-80).

Entenda o papel de vítima que a pessoa egóica interpreta. Nestes casos, a forma de atenção que o ego busca é a solidariedade, a piedade ou o interesse dos outros pelos ‘meus’ problemas, por ‘mim e minha história’. Ver-se como vítima é um componente de muitos padrões egóicos, como queixar-se, sentir-se ofendido, ultrajado, etc. O ego não deseja o fim dos seus ‘problemas’ porque eles fazem parte da sua identidade. (pg. 81)

Todas as motivações egóicas são voltadas para a autovalorização e o interesse do próprio eu. (p.90)

Se o conflito egóico tem um propósito, ele é indireto: ele cria cada vez mais sofrimento neste mundo e o sofrimento, embora produzido em sua maior parte pelo ego, no fim, pode colaborar para destruir a ilusão do próprio ego. (Pg. 97)

Por que o ego interpreta papéis? Por causa de um pressuposto não questionado, um erro fundamental, um pensamento inconsciente: “Não sou o bastante”, e “tenho que interpretar um papel para conseguir o que é necessário para me completar”, e “preciso obter mais para ser mais”. (Pg. 99)

Na forma, somos e seremos sempre inferiores a algumas pessoas e superiores a outras. Na essência (Ser) não somos inferiores nem superiores a ninguém. A verdadeira autoestima e a autentica humildade surgem dessa compreensão. Aos olhos do ego, a autoestima e a humildade são contraditórias. (Pg. 99)

O ego, na sua cegueira é incapaz de ver a dor que inflige a si mesmo e aos outros. (Pg. 99)

O ego cria separação e a separação causa sofrimento, portanto, o ego é patológico. (Pg. 101)

O ego não sabe que sua única oportunidade de ficar em paz é agora. Ou talvez ele saiba e tenha medo de que nós acabemos descobrindo isso. Paz, acima de tudo, é o fim do ego. (Pg. 104)

O ego se fortalece no negativismo. O ego adora a infelicidade. Com isso causamos sofrimento a nós mesmos e aos outros sem nem sequer saber que estamos fazendo isso, ignorando que estamos criando o inferno na Terra. Provocarmos dor sem saber – essa é a essência de vivermos de modo inconsciente – é estar sob o domínio do ego. (Pg. 104)

No instante em que todos os recursos falham, o ego recorre aos gritos e até à violência física. (Pg. 105)

Enquanto a consciência não se manifesta existe identificação com os estados interiores, e essa identificação é o ego. Com a consciência vem o abandono da identificação com os pensamentos, as emoções e as reações. (Pg. 105)

O ego não sabe que a mente e as posições mentais não têm nada a ver com quem nós somos, porque ele é a própria mente não observada. (Pg. 109)

Seu ego exige o reconhecimento pessoal e desperdiça energias com o ressentimento quando não obtém o suficiente, que nunca é o bastante. (Pg. 110)

A cooperação é estranha ao ego, a não ser quando existe uma intenção oculta. O ego não sabe que, quando incluímos as pessoas, as coisas fluem mais suavemente e chegam até nós com mais facilidade. Se prestarmos pouco ou nenhum auxílio aos outros, ou colocamos obstáculos em seu caminho, o universo, na forma de pessoas ou circunstâncias, nos proporciona pouca ou nenhuma ajuda porque nos separamos do todo. (Pg. 111)

O ego consome uma quantidade de energia. (Pg. 112) Comentário do Eneas: Uma enorme energia pode ser canalizada para outras frentes positivas, construtivas, curativas quando tomamos conhecimento das estratégias patológicas do ego.

O sofrimento é uma consequência inevitável de toda ação motivada pelo ego. (pg. 113)

É necessário estar sempre alerta, uma vez que o ego tentará sempre assumir o controle e se reafirmar de qualquer maneira. Dissolver o ego humano, trazendo-o à luz da consciência, esse será o principal objetivo das pessoas esclarecidas. (Pg. 114)

Ao longo de milhares de ano, a mente vem intensificando seu domínio sobre a humanidade, que deixou de ser capaz de reconhecer a entidade que se apossa de nós como o ‘não-eu’. Por causa dessa completa identificação com a mente, uma falsa percepção do eu passa a existir – o ego.  A densidade dele depende do grau em que nós – a consciência – nos identificamos com a mente, com o pensamento. Pensar não é mais do que um minúsculo aspecto da totalidade da consciência. (Pg. 116-117)

Todo ensinamento do místico Lao Tsé se assemelhava ao do rio: siga a corrente seja para onde ela for. Mas a mente sempre quer fazer alguma coisa por que desse modo o crédito vai para o ego. Se você simplesmente seguir a maré, o crédito vai para a maré, não para você. (Liliam Amorim).

O ego é uma fonte de consulta nada confiável. O ego de cada um de nós é egoísta e egocêntrico. Acha-se o centro do Universo. Adoram seu umbigo. Sempre acham que têm razão para sentir e manifestar raiva, mágoa, tristeza, medo, etc. O nosso ego é cego e surdo, mas não é mudo. (Mauro Kwitko, A Terapia da Reforma Íntima, Editora Besouro Box, página 45).

A ignorância é a causa raiz de todo sofrimento. O sábio da Índia Oriental, Patanjali (Taimmi 1961) disse que a ignorância gera o ego, o ego desenvolve gostos e aversões, e estes gostos e aversões causam a doença física e o medo da morte. A descoberta da plenitude cura a mente do ego-separação; a cura do ego dissolve os desequilíbrios vitais devido a preferências emocionais, e a ausência de preferência emocional significa ausência de medo da morte no nível físico. (Amit Goswami. O Médico Quântico. Ed. Cultrix, pg. 60-61)

Quanto conteúdo para avaliação. Após a leitura deste texto imenso, porém com muita riqueza, vá até o espelho e contemple-se pelo maior período de tempo que dispuser, e pergunte-se a si mesmo: Quem sou eu ... lá dentro?

Agora podemos começar a dialogar. Comente comigo sobre o texto. Entre em contato pelo e-mail: eneaspb@gmail.com


Eneas Paulo Budel Bogucheski.

Atualizado em 23/05/2015. 

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