Quando resolvemos nos unir, aceitamos o que está claro e o que
não está bem claro ainda.
Aceitamos
os ativos e os passivos, os direitos e os deveres, o que é bom e o que é ruim.
Aceitamos
compartilhar as alegrias e as tristezas.
Aceitamos festejar os sucessos e a
partilhar os fracassos e momentos difíceis.
Coloco
como um dos pilares na construção da vida a dois, o conhecimento de si mesmo.
Conhecer-se a si mesmo é a pedra fundamental em cima da qual teremos condições
de construir qualquer grande obra, capaz de suportar pressões, conflitos, pressões e catástrofes.
Conhecer-se a si mesmo é a base onde são construídas as maiores alegrias da vida.
Quando nos unimos, somos dois egos chucros.
Estes
dois egos chucros deverão ser domados, domesticados, aproveitando as energias
brutas que carregam para transformar em obras robustas na arte do
relacionamento.
Seria covardia de um, fugir ou não querer participar das
dores, angústias e tristezas do outro.
É ridículo e contraditório deixar o outro curtir sozinho
a tristeza que o cônjuge está curtindo.
Exemplos: Se tiver que
levar o filho ao médico, não é comigo. Se tiver que levá-lo ao parque, deixa
comigo. Se tiver que levar bronca da diretora da escola, não é comigo. Vai você.
É de fundamental importância, no relacionamento a dois ou mais
pessoas, conhecer como o ego se comporta dentro da estrutura da nossa
personalidade.
Gostaria de aproveitar a oportunidade para sugerir a você a
compra de um livro que trata do ego e da consciência desperta.
Existem
hoje muitos livros que tratam do ego, do ego negativo, do ego superior. O
primeiro livro que indico é do autor Eckhart
Tolle, “Um Novo Mundo - O Despertar de uma nova Consciência”, editora Sextante.
O
ego geralmente é negativo e orgulhoso.
É o meu ego o maior causador de sofrimentos
no ego do outro.
Portanto, conheça o teu ego e dome-o, domestique-o para que
não aconteçam desmoronamentos na construção da tua vida a dois ou a três.
Transcrevo abaixo algumas citações retiradas do livro indicado
acima. Quando a citação for transcrita de outro livro, a indicação da fonte
estará anexa.
Orientações
importantes antes de começar a ler:
1 - Não tenha pressa em ler tudo de uma vez. Vá com calma,
parando, refletindo, olhando-se dentro do contexto. Mais uma vez te digo: não
tenha pressa em ir adiante. Lentamente você terá muito mais proveito. Leia o
que te chamou a atenção. Releia. Pare. Feche os olhos e reflita, reveja-se
dentro da situação que o texto sugere. Lembre-se que a pressa é inimiga da
perfeição. A pressa mantém a visão somente na superfície. Aqui, é necessário aceitar
o desafio e entrar na profundidade, na verdade que liberta.
2 - Esta é uma leitura individual. Faça
esta leitura sózinho(a). Depois de alguns dias, observando-se e observando seu
cônjuge, perceba como o ego superficial, o eu desconhecido é quem mais atua na
nossa vida, e, o eu autêntico, o eu consciente, quase não tem chances de
manifestar-se, por isso, os conflitos.
3 – Quem vai resolver os conflitos, quem vai ajudar a passar
de fase, é o teu eu superior, a consciência desperta. A consciência é aquela
parte superior que existe em nós que assume atitudes de compreensão, não de
julgamento. Procura o diálogo, a paz, busca soluções com serenidade.
Comecemos:
Ego. É importante conhecer e reconhecer os
principais mecanismos do ego. Você deve conhecer o mecanismo básico por trás do
funcionamento do ego, com isso você o detectará e ele não irá enganá-lo. O ego
é um impostor que finge ser você. O ato do reconhecimento é uma das maneiras pelas
quais acontece o despertar (Página 14 e 15, Eckhart Tolle, Um mundo novo, O
despertar de uma nova consciência).
O ego
é um distúrbio que trazemos dentro de nós. (p.19)
O ego
não é mais do que isto: identificação com a forma, o que basicamente
corresponde a formas de pensamentos. (p.26)
Uma das mais básicas estruturas mentais
que possibilita a existência do ego
é a identificação. (26)
Tentamos nos encontrar nas coisas,
porém, nunca conseguimos fazer isso inteiramente e acabamos nos perdendo nelas.
Essa é a sina do ego. (p.36)
O ego
não é pessoal. Ele não é quem você é. Esse sentimento de orgulho, de precisar
aparecer, o engrandecimento aparente do eu por meio de ‘mais do que’ e sua
diminuição por meio de ‘menos do que’ não está certo nem errado: isso é o ego. (p.42)
O ego
tende a equiparar ter (posse) com
ser: eu tenho, portanto, sou. (p. 45)
O ego
se identifica com o possuir. Permanece sempre um sentimento profundo de
insatisfação, de estar incompleto, de ‘não é o bastante’, ‘não tenho o
suficiente’. Com isso o que o ego de fato quer dizer é: ‘não sou o bastante
ainda’. (p. 46)
Nada fortalece mais o ego do que ‘estar certo’. O ego adora
apontar a falha para que possa mostrar que está certo. (p. 63)
Estarmos certos nos coloca numa posição
se superioridade moral imaginada em relação à pessoa ou situação que está sendo
julgada. É esse sentimento de superioridade que o ego adora e por meio do qual se destaca. (p 64)
O ego
leva ludo para o lado pessoal. (p. 64) mas não é pessoal. (p.68)
Todo ego confunde opiniões e pontos de vista com fatos. Além disso,
nenhum ego consegue estabelecer a diferença entre um acontecimento e a sua
reação a ele. O ego é sempre um mestre da percepção seletiva e da interpretação
distorcida. (p. 65)
O ego
ao querer demonstrar que ‘está certo’, está querendo dizer que é superior. (p.
69)
Os defeitos ou desequilíbrios que vemos
nos outros e à qual reagimos também existe em nós. Mas não é mais do que uma
forma do ego, e como tal, é impessoal. Não tem nada a ver com quem a pessoa é
ou com quem nós somos. Somente se a confundirmos com nossa identidade ela pode
representar uma ameaça à nossa percepção do eu. (70).
Reconheça o ego por aquilo que ele é: um distúrbio coletivo, a insanidade da
mente humana. (p 71) Ninguém está errado: é apenas o ego em alguém,
manifestando-se.
Seja qual for a forma que assuma, a
motivação inconsciente por trás do ego
é fortalecer a imagem de quem nós pensamos que somos, o eu fantasma que passa a
existir quando o pensamento (uma enorme benção, assim como uma grande maldição)
começa a dominar e a obscurecer a simples, e ainda profunda, alegria da
conectividade com o nosso Criador, nossa origem, nosso Deus e Pai. (p. 74)
Independentemente do comportamento que o
ego manifeste, a força motivadora
oculta é sempre a mesma: a incessante necessidade de aparecer, ser especial,
estar no controle, ter poder, ganhar atenção. (p. 74). E há ainda a sutil
necessidade de experimentar uma sensação de isolamento, como alguém autossuficiente,
independente de tudo e de todos, como se não dependesse de nada nem de ninguém.
(p. 74).
Comentário
do Eneas: Observe como é assim mesmo. Acho que está aqui a origem da
dificuldade ou as resistências que opomos no relacionamento com o Deus Pai.
Nossa vida espiritual poderia ser muito mais fácil se não houvesse estas
resistências inconscientes batalhando contra nossa união com nosso Criador.
O ego
sempre quer alguma coisa das pessoas ou das situações. Há sempre um plano
oculto, um sentimento de ‘ainda não é o bastante’, de insuficiência, de falta,
que precisa ser atendido. Em geral, o ego vive frustrado com seus objetivos (na
maior parte do tempo, a lacuna entre o “eu quero” e “o que acontece” torna-se
uma fonte constante de aborrecimento e angústia. (p. 74).
A emoção que governa todas as atividades
do ego é o medo. O medo de não ser
ninguém, o medo da não-existência, o medo da morte, o medo de perder bens, medo
do fracasso, medo de ser roubado, diminuído, humilhado, desprezado,
desconsiderado. Todas as ações do ego têm por finalidade eliminar este temor.
No entanto, o máximo que o ego consegue é encobri-lo temporariamente, seja com
um relacionamento íntimo, a aquisição de um novo bem ou tendo um bom desempenho
numa ou outra coisa. A ilusão nunca nos satisfaz. Apenas a verdade de quem nós somos, se
compreendida, nos libertará. (p. 74-75).
Por que o medo? Porque o ego surge pela identificação com a
forma e, na verdade, ele sabe que nenhuma forma é permanente, que todas elas
são transitórias. Assim, há sempre um sentimento de insegurança ao seu redor,
mesmo que externamente ele pareça confiante. (p. 75).
Existem muitas formas sutis de ego que, mesmo sendo tênues, podemos
observar com facilidade nas pessoas e em nós mesmos. Lembrem-se: no momento em
que nos tornamos conscientes do nosso ego, essa consciência emergente é quem
somos além do ego, o “eu” profundo. O reconhecimento do falso ego já é o
surgimento do real. (p. 76)
Uma relação autêntica é aquela que não é
dominada pelo ego, que está sempre
voltada para a construção da sua imagem e para a busca do eu. Num
relacionamento genuinamente autêntico, há um fluxo de atenção plena e receptiva
que é dirigido à outra pessoa, e nele não cabe nenhum outro querer. Essa
atenção plena é a presença, o pré-requisito para todo relacionamento autêntico.
O ego age sempre da seguinte forma: ou quer alguma coisa ou, se acredita que
não existe nada para obter do outro, assume um estado de profunda indiferença e
não se preocupa com ele. Assim, os três estados predominantes dos
relacionamentos egóicos são: o querer, o querer insatisfeito (= raiva,
ressentimento, acusação, queixa) e a indiferença. Pg. 78.
Interpretação de papeis: as muitas faces
do ego. Um ego que quer alguma coisa do outro,
em geral representa um tipo de papel para satisfazer suas necessidades, que
podem ser: ganho material; sensação de
poder; sensação de superioridade; sensação de ser alguém especial; sensação de
um sentimento de gratificação, seja física ou psicológica. Em geral as pessoas
não têm nenhuma consciência dos papéis que representam. Elas são estes papéis.
Alguns deles são tão sutis, enquanto outros são claros, exceto para quem os
interpreta. Há aqueles criados com o único objetivo de atrair atenção de
alguém. O ego prospera quando angaria a atenção dos outros, porque ela é, acima
de tudo, uma energia psíquica. Como não sabe que a origem de toda a energia
está dentro da pessoa, ela a procura externamente. Porém, sua busca não é pela atenção sem
forma, a presença, e sim pela atenção numa forma, como reconhecimento, elogio e
admiração. Certas vezes, só o fato de ser notado de alguma maneira já vale como
um reconhecimento da sua existência. (pg. 79)
Uma pessoa tímida que tem medo da
atenção dos outros não está livre do ego.
Neste caso, o ego é ambivalente, pois tanto quer quanto teme a atenção externa.
O temor é de que a atenção possa tomar a forma de desaprovação ou crítica, isto
é, algo que diminua a percepção do eu em vez de aumenta-la. Portanto, o medo
que a pessoa tímida tem da atenção é maior do que a necessidade que tem dela. A
timidez costuma ser acompanhada de uma autoimagem predominantemente negativa, a
crença de ser inadequado. Qualquer percepção conceitual do eu – ver a si mesmo
como isso ou aquilo – é o ego, seja ele favorável (eu sou o maior) ou
desfavorável (não sou bom). Por trás de toda autoimagem negativa está o desejo
de ser o maior ou melhor do que os outros. Oculto pelo confiante e contínuo
sentimento de superioridade do ego encontra-se o medo inconsciente de ser
inferior. De modo inverso, o ego tímido, que se sente inapropriado e menor, tem
um forte desejo camuflado de superioridade. Tudo o que devemos saber e observar
em nós mesmos é isso: sempre que nos sentirmos superiores ou inferiores a
alguém, isso é o ego em ação. (p. 79-80).
Entenda o papel de vítima que a pessoa egóica interpreta. Nestes casos, a forma de atenção que o ego busca é a
solidariedade, a piedade ou o interesse dos outros pelos ‘meus’ problemas, por
‘mim e minha história’. Ver-se como vítima é um componente de muitos padrões
egóicos, como queixar-se, sentir-se ofendido, ultrajado, etc. O ego não deseja
o fim dos seus ‘problemas’ porque eles fazem parte da sua identidade. (pg. 81)
Todas as motivações egóicas são voltadas para a autovalorização e o interesse do
próprio eu. (p.90)
Se o conflito egóico tem um propósito, ele é indireto: ele cria cada vez mais
sofrimento neste mundo e o sofrimento, embora produzido em sua maior parte pelo
ego, no fim, pode colaborar para destruir a ilusão do próprio ego. (Pg. 97)
Por que o ego interpreta papéis? Por causa de um pressuposto
não questionado, um erro fundamental, um pensamento inconsciente: “Não sou o
bastante”, e “tenho que interpretar um papel para conseguir o que é necessário
para me completar”, e “preciso obter mais para ser mais”. (Pg. 99)
Na forma, somos e seremos sempre
inferiores a algumas pessoas e superiores a outras. Na essência (Ser) não somos
inferiores nem superiores a ninguém. A verdadeira autoestima e a autentica
humildade surgem dessa compreensão. Aos olhos do ego, a autoestima e a humildade são contraditórias. (Pg. 99)
O ego,
na sua cegueira é incapaz de ver a dor que inflige a si mesmo e aos outros.
(Pg. 99)
O ego
cria separação e a separação causa sofrimento, portanto, o ego é patológico. (Pg.
101)
O ego
não sabe que sua única oportunidade de ficar em paz é agora. Ou talvez ele
saiba e tenha medo de que nós acabemos descobrindo isso. Paz, acima de tudo, é
o fim do ego. (Pg. 104)
O ego
se fortalece no negativismo. O ego adora a infelicidade. Com isso causamos
sofrimento a nós mesmos e aos outros sem nem sequer saber que estamos fazendo
isso, ignorando que estamos criando o inferno na Terra. Provocarmos dor sem
saber – essa é a essência de vivermos de modo inconsciente – é estar sob o
domínio do ego. (Pg. 104)
No instante em que todos os recursos
falham, o ego recorre aos gritos e
até à violência física. (Pg. 105)
Enquanto a consciência não se manifesta
existe identificação com os estados interiores, e essa identificação é o ego. Com a consciência vem o abandono
da identificação com os pensamentos, as emoções e as reações. (Pg. 105)
O ego
não sabe que a mente e as posições mentais não têm nada a ver com quem nós
somos, porque ele é a própria mente não observada. (Pg. 109)
Seu ego
exige o reconhecimento pessoal e desperdiça energias com o ressentimento quando
não obtém o suficiente, que nunca é o bastante. (Pg. 110)
A cooperação é estranha ao ego, a não ser quando existe uma
intenção oculta. O ego não sabe que, quando incluímos as pessoas, as coisas
fluem mais suavemente e chegam até nós com mais facilidade. Se prestarmos pouco
ou nenhum auxílio aos outros, ou colocamos obstáculos em seu caminho, o
universo, na forma de pessoas ou circunstâncias, nos proporciona pouca ou
nenhuma ajuda porque nos separamos do todo. (Pg. 111)
O ego
consome uma quantidade de energia. (Pg. 112) Comentário do Eneas:
Uma enorme energia pode ser canalizada para outras frentes positivas,
construtivas, curativas quando tomamos conhecimento das estratégias patológicas
do ego.
O sofrimento é uma consequência
inevitável de toda ação motivada pelo ego.
(pg. 113)
É necessário estar sempre alerta, uma
vez que o ego tentará sempre assumir
o controle e se reafirmar de qualquer maneira. Dissolver o ego humano,
trazendo-o à luz da consciência, esse será o principal objetivo das pessoas
esclarecidas. (Pg. 114)
Ao longo de milhares de ano, a mente vem
intensificando seu domínio sobre a humanidade, que deixou de ser capaz de
reconhecer a entidade que se apossa de nós como o ‘não-eu’. Por causa dessa
completa identificação com a mente, uma falsa percepção do eu passa a existir –
o ego. A densidade dele depende do grau em que nós –
a consciência – nos identificamos com a mente, com o pensamento. Pensar não é
mais do que um minúsculo aspecto da totalidade da consciência.
(Pg. 116-117)
Todo
ensinamento do místico Lao Tsé se assemelhava ao do rio: siga a corrente seja
para onde ela for. Mas a mente sempre quer fazer alguma coisa por que desse
modo o crédito vai para o ego. Se
você simplesmente seguir a maré, o crédito vai para a maré, não para você. (Liliam Amorim).
O ego
é uma fonte de consulta nada confiável. O ego de cada um de nós é egoísta e
egocêntrico. Acha-se o centro do Universo. Adoram seu umbigo. Sempre acham que
têm razão para sentir e manifestar raiva, mágoa, tristeza, medo, etc. O nosso
ego é cego e surdo, mas não é mudo. (Mauro Kwitko, A Terapia da Reforma Íntima, Editora Besouro Box, página
45).
A ignorância é a causa raiz de todo
sofrimento. O sábio da Índia Oriental, Patanjali (Taimmi 1961) disse que a
ignorância gera o ego, o ego
desenvolve gostos e aversões, e estes gostos e aversões causam a doença física
e o medo da morte. A descoberta da plenitude cura a mente do ego-separação; a
cura do ego dissolve os desequilíbrios vitais devido a preferências emocionais,
e a ausência de preferência emocional significa ausência de medo da morte no
nível físico. (Amit Goswami. O Médico Quântico. Ed. Cultrix,
pg. 60-61)
Quanto
conteúdo para avaliação. Após a leitura deste texto imenso, porém com muita
riqueza, vá até o espelho e contemple-se pelo maior período de tempo que dispuser,
e pergunte-se a si mesmo: Quem sou eu ... lá dentro?
Agora
podemos começar a dialogar. Comente comigo sobre o texto. Entre em contato pelo
e-mail: eneaspb@gmail.com
Eneas
Paulo Budel Bogucheski.
Atualizado
em 23/05/2015.
Nenhum comentário:
Postar um comentário